Intestino: o outro cérebro

No século III a.C., Hipócrates, médico grego, já afirmava que “todas as doenças começam no intestino”. No século XIX, Elie Mechnikov, biólogo russo ganhador prêmio Nobel, traçou vínculo entre longevidade do homem e um equilíbrio saudável das bactérias no organismo.


E hoje em dia, o intestino é, de fato, um dos órgãos mais estudados.


Nosso intestino é um Microbioma (micro = pequeno + bioma = ocorrência natural de uma flora).

O que é muito interessante é que, embora o genoma humano seja praticamente o mesmo com genes de características individuais, nosso microbioma intestinal é completamente diferente.

Pesquisas da medicina atual reconhecem e indicam que o estado do microbioma é vital para a saúde humana e tem influência sobre a forma de chegar à idade madura com boa saúde.


Nosso órgão intestinal faz parte de várias ações fisiológicas, tais como:


- Funcionamento sistema imunológico, através dos tecidos linfoide, linfócitos e células de defesa;


- Desintoxicação (uma flora saudável possui uma barreira de proteção que impede compostos tóxicos de penetrar o intestino e chegar à corrente sanguínea);


- Produção de neurotransmissores e vitaminas, entre eles Triptofano e Vitamina B12;


- Absorção de nutrientes;


- Produção de energia na forma de ATP;


- Regulação da sensação de fome ou saciedade através da Colecistocinina e GLP1;


- Aproveitamento de gorduras e carboidratos;


Porém, quando nossa flor intestinal está alterada, o que chamamos de desbiose, temos o risco de desenvolver vários outros processos, como:


- Inflamação

- Alergias alimentares

- Transtornos de humor

- Obesidade

- Diabetes tipo II

- Doenças autoimunes


Agora, o que é mais interessante e importante é que a qualidade do que comemos tem a capacidade de alterar nosso microbioma tanto de forma saudável quanto doentia, fazendo proliferar bactérias positivas ou negativas.


Mudar a condição de nossa flora intestinal (microbioma) e, consequentemente, o que afeta nossa saúde está ao alcance de todos por meio de ESCOLHAS ALIMENTARES.


Dietas ricas em açúcares, gorduras ruins e carboidratos refinados, e pobres em fibras e energia alimentam bactérias indesejadas e aumentam a chance de permeabilidade intestinal, comprometimento do sistema imunológico e processos inflamatórios.


Estudos recentes mostram a relação de alimentos industrializados (ricos em gordura saturada e sódio) com a obesidade e algumas doenças autoimunes. Portanto, seu consumo precisa ser minimizado e observado com cuidado.


Nossa flora intestinal é receptiva e tem a capacidade de se refazer a cada impressionantes 20 minutos! Portanto, preocupe-se com:


- Qualidade alimentos – quanto menos industrializado, melhor;

- “Comida de verdade”;

- Consumo de fibras / carboidratos de baixa carga glicêmica (boas gorduras);

- Alimentos orgânicos

- Ler os rótulos – “nome de comida”, ingredientes, conservantes;

- Alimentos fermentados – evite chucrute, picles, entre outros;

- Alimentos probióticos – evite iogurte, Kefir, etc;


Vale, também, utilizar probióticos, pois estes atuam de maneira competitiva com as bactérias patogênicas da seguinte forma:


- Digerem os alimentos e concorrem com os microrganismos patogênicos;

- Alteram o PH, criando um ambiente desfavorável para bactérias ruins;

- Estimula produção de mucina (proteção dos mucos intestinais);

- Aumentam os níveis de células de defesa do corpo;


Cuide do seu intestino; não é brincadeira. Um intestino saudável é responsável por um corpo inteiro em equilíbrio!

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