Precursores de glutationa melhoram os declínios físico e cognitivo em adultos mais velhos

O envelhecimento provoca algumas mudanças no funcionamento do organismo. Com o passar da idade, a função mitocondrial diminui, influindo negativamente na produção de energia ATP. Isso resulta numa contribuição importante para o envelhecimento degenerativo.


Uma das causas para tal contexto disfuncional é a redução dos níveis do antioxidante glutationa - o antioxidante não enzimático mais abundante no organismo. Os antioxidantes são importantes para a função mitocondrial e a saúde celular por absorver o excesso de moléculas oxidantes resultantes durante a produção de ATP.


E a glutationa, além de combater os radicais livres, atua em diversos processos, como na eliminação de toxinas, no transporte de aminoácidos, na síntese de proteínas, na proteção das células contra substâncias cancerígenas e, ainda, participa do combate aos sinais de envelhecimento. Para manter os níveis de glutationa adequados, recomenda-se a suplementação ou a ingestão de alimentos ricos em seus precursores: cisteína, glicina e glutamina.


Um estudo clínico piloto (Biomedicines em 2020) de suplementação de glicina + N-acetilcisteína (GliNAC) em pacientes adultos com HIV (de 46 a 65 anos) mostrou que a intervenção não apenas melhorou a função mitocondrial, mas também os marcadores de inflamação crônica relacionada à idade.


Estes mesmos pesquisadores publicaram na Clinical and Translational Medicine os resultados de um outro estudo piloto exploratório com a suplementação dos mesmos aminoácidos – desta vez executado em adultos mais velhos saudáveis (70-80 anos).


Os efeitos de GliNAC foram investigados por um período de 24 semanas e, após a sua retirada, por 12 semanas. Foram analisados e comparados os marcadores dos participantes com os de adultos bem mais jovens (de 21 a 30 anos) e foi possível observar melhorias em muitos defeitos característicos do envelhecimento. Outro dado relevante é que os benefícios diminuíram após a interrupção da suplementação por 12 semanas.


Sendo assim, os resultados do estudo parecem bem promissores! Eles sugerem que a suplementação de glicina + N-acetilcisteína (GliNAC) em adultos é bem tolerada e pode desempenhar um novo papel na melhoria do envelhecimento saudável, corrigindo a deficiência de glutationa, o estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial, a inflamação, a resistência à insulina, a disfunção endotelial, a gordura corporal, a força muscular, a velocidade de marcha e a função cognitiva.



Fontes:


https://www.essentialnutrition.com.br/conteudos/a-mae-de-todos-os-antioxidantes-o-que-e-e-como-atua-a-glutationa/#:~:text=Uma%20op%C3%A7%C3%A3o%20para%20manter%20n%C3%ADveis,%3A%20ciste%C3%ADna%2C%20glicina%20e%20glutamina.


Kumar P., et al. Glycine and N‐acetylcysteine (GlyNAC) supplementation in older adults improves glutathione deficiency, oxidative stress, mitochondrial dysfunction, inflammation, insulin resistance, endothelial dysfunction, genotoxicity, muscle strength, and cognition: Results of a pilot clinical trial. Kumar P., et al. Supplementing Glycine and N-acetylcysteine (GlyNAC) in Aging HIV Patients Improves Oxidative Stress, Mitochondrial Dysfunction, Inflammation, Endothelial Dysfunction, Insulin Resistance, Genotoxicity, Strength, and Cognition: Results of an Open-Label Clinical Trial


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