Substratos Cerebrais e Transtornos Alimentares

Por influência multifatorial, os transtornos alimentares se fazem cada vez mais presentes - principalmente na adolescência. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% dos jovens brasileiros sofrem de algum distúrbio alimentar.


Quando os padrões alimentares e o peso corporal divergem da norma, surgem questões sobre o envolvimento dos sistemas de recompensa alimentar no cérebro. Todos os padrões são controlados intimamente pelos mecanismos de recompensa, se esses mecanismos operam em modo normal ou modos anormais.


Diferentes estudos buscam compreender este fenômeno e identificar se os sistemas de recompensa do cérebro do "querer" e do "gostar" estão relacionados aos transtornos alimentares.


"Querer" é psicológica e neuralmente diferente do "gostar", mesmo que muitas vezes aconteçam juntos. O primeiro é um processo gerado pelo mesolímbico, que pode ser percebido através de estímulos cerebrais, caracterizado como recompensa por Pavlov. O "gostar" já está mais relacionado ao prazer sensorial.


De maneira simplificada, o "querer" provoca a motivação; ou seja, se uma pessoa está com fome, ela tem a motivação de arrumar algo para comer. Esse sistema de recompensa existe, de certa forma, independente do "gostar". Mas, quando combinado com o gosto hedônico, a recompensa é entendida na sua totalidade. O "gostar" nada mais é do que o processo de atribuição de incentivo, potencializando a resposta recompensada e, consequentemente, a motivação.


É possível que alguns aspectos da função de recompensa do cérebro possam acontecer de maneira indevida e realmente causar um transtorno alimentar. Alimentos podem ser classificados hedonicamente como "muito gostoso" ou "pouco gostoso" via disfunção de recompensa. Uma forma supressiva de disfunção de ponto de acesso, por exemplo, pode reduzir o "gosto" ou até mesmo criar o "não gosto" de uma comida normalmente saborosa.


O contrário também pode acontecer: o aumento do incentivo "querer" comer pode levar a mudanças na alimentação, motivadas num consumo que não é mais impulsionado hedonicamente.


O "querer" acionado por sugestão pode ser desencadeado de maneira inconsciente e, por isso, uma consequência importante da diferença entre o "querer" e desejos mais cognitivos é aquele incentivo excessivo que pode, em alguns casos, levar a "desejos" irracionais de algo que não é formado conscientemente.


Dessa forma, o indivíduo poderia "querer" comer alimentos que, cognitivamente, na verdade, não quer comer, e sem aumentar o "gosto". Nesses casos, a visão, o cheiro ou a imaginação vívida da comida podem desencadear um desejo compulsivo de comer, mesmo que a pessoa não espere que seja muito prazeroso, nem ache a experiência real muito prazerosa no final.


Todas essas afirmações, apesar de já serem documentadas, ainda precisam de mais estudos. Procure se manter sempre informado, converse com seu nutricionista e, se possível, faça acompanhamento psicológico. Tudo isso, com certeza, te auxiliará a compreender sua relação com a comida.


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